Apostasia: Diálogo entre “Cristão” e “Desesperado” – O Peregrino

Apostasia

Apostasia: Diálogo entre “Cristão” e “Desesperado” – O Peregrino

Afastando-se desta cena, entraram numa sala escura. Lá, Cristão viu um homem de afeições sombrias, numa jaula de ferro. Seu nome era Desesperado.

– O que houve com ele? – Perguntou Cristão.

– Deixarei que ele mesmo lhe conte – respondeu o Intérprete.

Desesperado: – Certamente não sou o que eu era.

Cristão: – E o que você era? 

Desesperado: – Já fui um cristão professo e feliz, tanto em meu modo de pensar como aos olhos dos outros. Achava que era digno da Cidade Celestial, e esperava entrar naquele lugar com grande alegria.

Cristão: – Entendo. Mas o que você é agora?

Desesperado: – Agora sou um homem sem esperança, rejeitado, abandonado, fechado nessa jaula de ferro, onde não há escape.

Cristão: – Como você chegou nesta condição?

Desesperado: – Deixei de vigiar e de ser sóbrio. Permiti-me duvidar da Palavra da vida, e dei lugar à minha paixão. Pequei contra a luz da Palavra e a bondade de Deus. Cedi aos argumentos de Satanás, e ele apoderou-se de minha alma. Provoquei Deus à ira, e Ele deixou-me. Ofendi o Espírito, e Ele se foi. Endureci meu coração, e agora não posso arrepender-me.

Então Cristão indagou ao Intérprete: – Mas não há esperança para ele?

Intérprete: Pergunte-lhe.

Cristão: – Não há esperança de você escapar dessa jaula de desespero?

Desesperado: – Não, nenhuma.

Cristão: – Porque não? O Filho do Bendito é compassivo e de ternas misericórdias.

Desesperado: – Sim, mas rejeitei suas misericórdias. Crucifiquei-o mais uma vez o expus à vergonha. Desprezei sua retidão. Odiei o seu domínio sobre mim. Ofendi o Espírito da graça. O seu sangue, pelo qual eu fora comprado, reputei-o por profano. Assim, tranquei a mim mesmo fora de todas as promessas. E agora nada me resta, a não ser ameaças, pavorosas ameaças, medonhas ameaças de um julgamento certo, e uma ardente indignação que haverá de devorar-me como um adversário.

Cristão: – Por que você fez tudo isso, e colocou a si mesmo nesse estado?

Desesperado: – Pela concupiscência da carne, pelos prazeres e lucros deste mundo, no gozo do qual, prometi a mim mesmo muito deleite. Mas agora, cada uma dessas coisas pica e ferroa como uma serpente. Oh, se tão somente eu pudesse me arrepender! Deus, porém, negou-me o arrependimento. Sinto que a sua Palavra não me encoraja a crer. Ele trancou-me nesta jaula do meu próprio pecado e incredulidade, e nunca, nunca, nunca me porá livre. E nem poderão todos os homens do mundo, libertar-me dessa prisão. Oh, eternidade! Eternidade! Com haverei de enfrentar as misérias que serão minhas para sempre?

Interprete a Cristão: – Deixe que as palavras desse homem lhe sejam lembradas e lhe sirvam de constante cautela.

Cristão: – Bem, isso é terrível! Que Deus me ajude a vigiar e a ser sóbrio, a orar, para que evite o mal e a miséria dos que tomam esse caminho.

Versículos chaves:

“Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo, E provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro, E recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério.” Hebreus 6:4-6

Porque, se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados, Mas uma certa expectação horrível de juízo, e ardor de fogo, que há de devorar os adversários. Quebrantando alguém a lei de Moisés, morre sem misericórdia, só pela palavra de duas ou três testemunhas. De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue da aliança com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da graça? Porque bem conhecemos aquele que disse: Minha é a vingança, eu darei a recompensa, diz o Senhor. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo. Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo.” Hebreus 10:26-31

REFERÊNCIAS: BUNYAN, John. O Peregrino. Rio de Janeio: CPAD, 2015, p. 37-39.

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